03 fevereiro 2013

Abstinência

E agora fora do olho do furacão, arremessado na posição de observador, toda a tontura de ficar rodando bateu. Fecho os olhos e continuo girando.
Meu estomago tá embrulhado, estou querendo gorfar em qualquer canto da casa.
Talvez essa seja a sensação de abstinência. Abstinência dos domingos acompanhado, com cafuné, sexo, massagem, risada.
Talvez eu realmente tenha medo e não me permito ser feliz, como você tacou na minha cara algumas vezes, porém eu não podia continuar a iludir e dar firmamento aos planos que não cabem mais em mim.
Eu sei sofrer mas odeio ser responsável pela dor dos outros. E alguém com tanta vida e expectativa não merecia essa surpresa desagradável.
Eu estou me sentindo mal, não consigo imaginar como o outro lado está. Me conforta saber que eu tentei, vivi o que eu pude e quis, não menti em nenhum gesto.


01 fevereiro 2013

A dança dos ácaros

Era inverno e eu ainda não era alérgico a poeira, jornal, carpete, pelos e derivados.
Era um cobertor pesado, degrade: do azul petróleo ao verde médio.
Entre minha cama e a do meu irmão havia uma janela. Delicadamente minha mãe entrava no quarto e abria uma pequena fresta, nos dando beijo de bom dia e falando para a gente ir acordando.
Eu fazia questão dos 5 minutinhos, mas ficava acordado. Aconchegado no calor que o cobertor de inverno proporcionava, com apenas um olho semi aberto para observar a dança dos ácaros e dos pelos no faixe de luz natural da manhã que adentravam o quarto.
Milhares de pontinhos furta cor que só existem no limite da luz projetada pela janela pouco aberta, nos dias especiais de tirar aqueles cobertores do guarda roupa.

14 janeiro 2013

Elei(dentifica)ção

A gente não elege amigos, apenas identificamos eles no meio de todas as outras pessoas . Também não paramos para analisar criticamente a letra das músicas e suas melodias, apenas nos identificamos com o sentimento e o sentido que ela tem. Um filme complexo para alguns as vezes me é tão simples e vice versa, pois o compreendimento dos diálogos e das interações humanas é perceptível à vida que levo, do que acredito e nas minhas razões.
Não podemos simplesmente desvalorizar e julgar inaceitável comportamentos e sentimentos das obras só porque não sentimos da mesma forma. Alguém, na mesma sala do cinema, três fileiras para baixo se sentiu tocado e reconheceu, talvez, um novo filme favorito. Não há fórmulas para construir um acervo de obras que nos identifique, apenas coletamos e separamos o que nos é aceitável, poético e simples.

11 janeiro 2013

I gotta a need to feel, so I shake it

Acho que eu nasci pra fazer memórias a algo perene. Memórias que guardamos com carinho são sempre bonitas, alegres, cheias de vida. O cérebro ignora o que foi ruim e deixa as partes boas, que são as que importam.
A vida é cheia de ciclos, começa um com o fechamento de outro. Adiciona situações e pessoas durante. Levamos sempre para o próximo o aprendizado e os sentimentos que nos satisfazem. Mas tudo, sempre, tem um fim. O ciclo pode durar décadas, meses ou horas dependendo do contexto, mas ele se encerra.
Gosto de achar que sou o diretor, que faço cenas bonitas para a minha vida, como se fosse episódios rumando pra season finale. Tem que ter um clímax, não podemos adiar para a próxima temporada a parte que nos faz querer vomitar, chorar ou sair correndo. Se a temporada não está boa, não há renovação de contrato.
Minha vida tem esse padrão, sempre teve. Não é proposital, é meu estilo de viver que eu nunca me dei conta. Tento fugir, tento mudar ou me adaptar, mas acabo sempre me odiando por não estar sendo eu.
É tosco e infantiloide porém funcionou até agora.


07 janeiro 2013

Echo

Could you show me dear, something I've not seen?
Something infinitely interesting


Sentimentalmente resiliente

Cada vez mais me convenço que a tristeza ou indiferença não é a parte errada, e sim essa busca insana pela felicidade e plenitude.
É a inércia: você não nasce com sentimentos, então tende a não ter sentimentos especiais. Por algum motivo qualquer você tem a graça de sentir a felicidade ou a plenitude, e então acaba, foi um momento. Da mesma forma com a tristeza, só que como tudo que conhecemos, a propensão para não estar nas condições ideais é maior que para ter algo te puxando para trás, onde acabamos experimendo mais da tristeza.
A felicidade é a heroína da nossa geração. Todos que experimentaram a querem de novo, mendigam e se escoram em ícones que acreditam ser uma ponte até essa droga, como se fosse assim simples.
Ainda bem que somos sentimentalmente resilientes.

De verdade, de mentira

"Quem é de verdade sabe quem é de mentira" - Pra mim era só mais uma filosofia de rodoviária do Charlie Brown Jr, mas minha mãe gosta tanto dessa frase que pensei melhor a respeito, afinal foi uma pessoa mais vivida e que eu admiro que à fez ser notada.
A frase é direta e restrita ao binômio "verdade" e "mentira", que pra mim são variáveis e não devemos julgar pontos de vistas levianamente.
Me convenci que essa frase tem seu valor e sentido ao analisar que os iguais se reconhecem. Portando assim separando os de "verdade" e os de "mentira".
Só que os iguais tem quase um pacto no olhar em não deixar transparecer que são marcados com as mesmas cicatrizes. Preferem o anonimato e a distancia "dos de verdade" - das pessoas que te sacam sem precisar conversar ou ter uma convivência maior.
É como estar de cueca numa multidão, é o não estar nu mas saber o que está por vir, porém sem saber o momento certo.
Então aí conseguimos notar que é um pouco mais, cada um tem o seu grupo "dos de verdade" e "dos de mentira" em níveis de compreendimento e diversos campos da percepção de vida.

Salva suas (pequenas/grandes) diferenças, isso tudo é a psicopatia que nós temos tentando nos manter vivos e inseridos na sociedade. Procuramos "os de verdade" para a maior parte dos nossos sentidos, temos a necessidade de ficar em bando. Já "os de mentira" são a tribo rival, com a maior parte dos sensos destorcido do nossos. Quando nos deparamos com as pessoas que reconhecem o nível e até onde sua psicopatia vai, logo a poupamos também inserindo no grupo "de verdade" porque ai nasceu instantaneamente uma chantagem não declarada e uma disputa de quem vai sobreviver mais tempo. O bom é que somos de essência pacifica e piedosa (entre outras palavras, cada um fica com seu cu na mão esperando o momento de fingir).

04 janeiro 2013

Massa humana

Era uma sexta-feira de manha logo após as esperanças do ano novo serem renovadas. Mas a cidade nunca para, 8 AM e as pessoas ainda estão com sono por ter tentado aproveitar o dia após seus compromissos, adentrando no horário do sono para se sentirem um pouco vivas.
Embarcam em suas rotinas, sobem na condução para virarem uma massa amorfa de pele, suor e ilusões. Ali deixam para trás os poucos momentos humanos que tiveram a poucas horas atrás.
A cobradora do ônibus com um olhar distante é trazida de volta da terra onde ela é bonita, feliz e desejada com apenas três batidas de moeda na sua bancada de cobrança por uma mulher não muito diferente dela. O que as diferenciavam era apenas que uma estava numa posição de passageira por aquele breve instante.
Trocaram um único olhar, como se se entendessem e comungassem do mesmo sentimento. Recebeu o dinheiro, a catraca girou. Uma fechou o olho para tentar recuperar o sono perdido e a outra se perdeu entre o resto da massa humana. Se quer trocarem uma palavra ou gesto que demonstrasse alguma cumplicidade e respeito por aquele momento que seria o mais intenso de seus dias repetitivos.

28 dezembro 2012

A valsa das águas-vivas



Sempre fui do partido "deixar pra lá cansa menos", mas agora essa filosofia está me cansando!
Quero um pouco de dedo na ferida, sabão nos olhos. Um grito e um desentendimento. Teimosia e cabeça dura pra depois ter um pedido de desculpas e reconciliação!
Essa passividade e auto sufocamento é ridículo e ninguém consegue suportar por muito tempo. Ai percebo que não to gostando de mim.

18 dezembro 2012

Rooftops And Invitations

Such a charge that you need
Another touch, another taste, another fix